A CAROL PRECISA DE VOCÊ

“Aos 5 anos, Caroline apresentava sinais incomuns para a idade”

Garota com câncer infantil consegue superar momentos difíceis e, hoje, depende de acompanhamento para manter doença sob controle

“Em outubro de 2006, quando eu tinha 19 anos, perdi minha mãe. Ela descobriu o câncer de mama quando eu estava com 11 anos. Retirou o seio e fez a quimioterapia em Belo Horizonte (MG). Nos meus 15 anos, o câncer dela voltou, dessa vez no estômago. Ela retirou parte do estômago e ficou livre. Eu tinha 19 anos quando minha mãe descobriu uma recidiva agressiva que acometeu o pâncreas dela. Ela morreu três meses após a minha formatura no ensino médio.

Meu mundo caiu. Eu me senti sem chão. Uma dor horrível, sem explicação. Fiquei deprimida, desestruturada.Recebia muito apoio do meu pai e dos meus quatro irmãos – somos três mulheres e um homem. Mas não era o mesmo apoio da minha mãe.

Câncer infantil

Caroline fez ultrassom em janeiro de 2016 e logo foi diagnosticada uma massa suspeita do tamanho aproximado de

uma laranja entre o baço e o rim. Ela foi encaminhada por um endocrinologista para um hospital em São Paulo. Em fevereiro, retirou o tumor. A biópsia revelou um câncer no córtex da suprarrenal (glândula localizada acima de cada rim) – um tipo de câncer raro.

Em junho, exames de controle mostraram que o tumor havia voltado, dessa vez para o pulmão e com múltiplos nódulos(esse tipo de câncer dá metástase para o pulmão, cérebro e ossos). Não seria possível a cirurgia, pois eram vários, e estavam na base dos dois pulmões dela. Em julho, ela iniciou as quimioterapias…

“Aí, tirei força de onde não tinha. Ajoelhei, pedi a Deus pela vida dela, entreguei a vida dela em Suas mãos e pensei, Deus me deu ela, Deus me tira. Em oração, apenas relatei a Ele que achava que eu não suportaria viver sem meu anjo, sem Caroline…”

Lembranças da mãe

O cabelo da minha filha começou a cair, e o meu coração a despedaçar também, porque ela trazia lembranças minha mãe… Nesse período, fiquei em uma casa de apoio em São Paulo. Mas, quando o tratamento estava na metade, precisei lutar por um tratamento melhor, pois o hospital em São Paulo estava em crise. Caroline tomava uma droga que se chamava cisplatina, a medicação causava dores de cabeça e, no hospital, não tinha dipirona ,devido às crises financeiras. O tratamento era feito pelo SUS.

No meio do tratamento, conseguimos transferir Caroline para o convênio e fomos para o hospital São Lucas, em Belo Horizonte. O tratamento foi bem melhor, completo, com um médico bem-conceituado e empenhado pela causa dela.

Remissão

Em fevereiro deste ano, ela concluiu todas as quimioterapias com a doença em remissão. Mas, como foi um tratamento bem agressivo, Caroline não se alimentava bem e tinha dificuldades para tomar o medicamento oral (mitotano). Após as sessões das quimioterapias endovenosas (pela veia), ela teve um desidratação intensa e chegou em choque hipovolêmico no hospital São Lucas. Nesse dia, o coração apertou mais uma vez e senti que iria perdê-la. Pedi a Deus força e ajuda.

Caroline ficou um dia no CTI. O caso foi revertido e, aos poucos, ela foi melhorando. Os remédios orais (quimioterápicos) foram suspensos. Durante o tratamento, Caroline também precisou tomar soro algumas vezes e de transfusões de sangue.

Fomos, neste mês de junho, a um retorno em Belo Horizonte, e os exames estavam todos bons. Caroline está limpa. Bom, ela ainda irá precisar de um controle com exames de sangue (o SDHEA, que é um exame de sangue hormonal específico que pode determinar, juntamente com outros, se ela tem ou não a presença do câncer do córtex da suprarrenal) e exames de imagem durante um bom tempo.

Controle e acompanhamento

Desde o início das quimioterapias, Caroline precisou iniciar o uso de dois medicamentos: o fludrocortisona e o prednisolona, que são corticoides para controlar a insuficiência adrenal decorrente da retirada da glândula suprarrenal esquerda e das quimioterapias que afetaram a adrenal direita. Ela ainda usa esses medicamentos e faz controle com o médico endocrinologista.

Como o convênio é participativo, claro que nos gerou altos custos. Minha irmã estava me ajudando a pagar, mas os boletos vêm altos demais durante alguns meses. Como minha renda que é o benefício que recebo de Caroline (LOAS) e a pensão, que é baixa, é bem difícil manter as contas em dia. Daí decidi lançar algumas campanhas para pedir ajuda e conseguimos quitar um dos boletos que vieram mais altos. Agora, o desafio será manter o plano de saúde, já que transferir a Caroline para o SUS não será viável no momento.

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